17 de outubro de 2012

Viver é para os fortes...

"Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar"

Canção dos Tamoios - Gonçalves Dias


2011 começou como outro ano qualquer. Só começou. Logo se tornou o ano mais transformador da minha vida. Em abril, descobri que estava grávida. Em agosto, que estava com hipertensão e pré-eclâmpsia. Em setembro, a pequena Luna nasceu.
E pequena não é só figura de linguagem, não. Nasceu pequena mesmo: 970g. Um sopro de vida que se tornou um furacão. Nunca imaginei que um ser tão frágil pudesse demonstrar tanta força, tanta vontade de viver.
Assim que ela nasceu, começou uma grande lição de vida para mim.
Passei por uma delicada intervenção após o parto. Quase perdi o útero. Daí por diante foram 93 dias de um curso intensivo de elevação espiritual. Sem brincadeira, foram dias em que convivi com as mais diversas sensações e sentimentos. Difícil explicar. Luna ficou 93 dias internada numa UTI neonatal. Durante esses dias, cada passo dado, cada passo retornado, cada vitória foi comemorada e compartilhada. Foram tantas orações e pensamentos positivos, até de gente que eu mal conhecia. Vivi dias de luta, mas com o coração cheio de paz.
Quando, enfim, 2011 resolveu terminar, e minha pequena – ainda bem pequena, mas bem mais forte – pode vir pra casa, tudo pareceu entrar nos eixos outra vez. As primeiras semanas foram um pouco tensas, por conta do medo de fazer algo errado, esquecer os horários dos remédios ou dela ter alguma recaída, mas, aos poucos, fomos tomando pé das coisas.
Minha fé, resignação, paciência, e outras tantas ‘virtudes’ que eu nem sabia que tinha, foram testadas dia após dia, desde minha internação, uma semana antes do parto, até meses depois, com ela já em casa, mudando toda nossa rotina, e, de forma mais contundente, a das minhas duas outras filhas: Sol e Gabi.
Três meses depois que Luna chegou em casa, tive que voltar ao trabalho. Completaram-se os seis meses de licença. Por sorte, minha mãe, morando algumas casas depois da minha, pode me ajudar ficando com a pequena.
Mais uma vez, sofremos uma reviravolta. A vida exigiu um pouco mais da minha fé. Minha mãe sofreu um infarto, seguido de três paradas cardíacas e, como que retornando a dias tão doloridos, me vi novamente numa antessala de UTI.
E eu que tinha pensado que os 93 dias mais longos da minha vida já faziam parte do passado, hoje conto três meses e seis dias com minha mãe internada. E a uma distância de 1h30 de carro e a possibilidade de vê-la apenas uma vez por semana. De novo, o sentimento completo de incapacidade frente aos acontecimentos que teimam em marcar minha vida. Não só minha vida, claro. Todos, de alguma maneira, vivemos uma metamorfose.
Passo os dias refletindo sobre tudo o que tem acontecido nos últimos anos e de que forma essas variáveis da vida tem me transformado completamente. O maior aprendizado que tiro disso tudo é a percepção de nossa fragilidade perante essa Força que rege nossas vidas e nossos destinos. Somos um sopro, todos somos pó. Realmente pó. 
Mas ao contrário do que possa parecer, isso não me deprime. Pelo contrário. Tem me tornado mais atenta a tudo e todos que me rodeiam. Esses dois últimos anos têm sido fundamentais para mim. Fortaleceram todos os laços que me unem às outras pessoas e ao meu próprio mundo.
Sigo feliz o caminho que se estende à minha frente. Digo sempre que a tristeza e o mau humor são apenas mais duas bagagens pesadas. Prefiro a leveza do sorriso, o som da risada e a sinceridade do abraço amigo. E, apesar da dor que por vezes me aperta o peito, sou feliz por ter a chance de ascender um degrauzinho a mais no que acredito ser uma vida valorosa e que com alguma razão de ser. =)

27 de junho de 2012

Pique-pique

Ter filhos é uma aventura. Não importa quantos anos eles tenham, a gente está sempre aprendendo. Os bebês então, nos surpreendem a cada dia. É uma descoberta após outra, uma após outra, até que temos a impressão que nada mais nos surpreende, e então chega a temida adolescência...rsrs...

Agora, para uma mãe de bebê prematuro, essas alegrias diárias têm um gostinho pra lá de especial. São pequenas vitórias que comemoramos com o coração cheio de alegria e um certo alívio, difícil de explicar... parece que a cada passo dado, um peso enorme é tirado dos nossos ombros.

Pensar que aquele serzinho, pequitico, que nasceu com menos de 1kg, se tornou uma bebê alegre, esperta e cheia de vida é ter a certeza de que todo o sofrimento, todos os sacrifícios e momentos de dor foram pequenas fagulhas, que já se apagaram, tornaram-se pó.

Poder comemorar os nove meses da nossa pequena Luna, por si só, já é um grande motivo de felicidade em nossas vidas. Comemorar esta data, vendo a criança ativa, alegre e saudável que ela tem se tornado, é mais do que ser feliz. É sentir-se completo. Pleno de um Poder Divino que poucos conseguem sentir. Impossível definir.

Ouvir a Sol cantar parabéns para a irmãzinha foi um grande presente para mim. Foi um momento que não registrei por falta de uma máquina à mão, mas guardei no meu coração, lá no ‘ranking’ dos mais-mais da minha vida.

Essa pequena sapeca, que já come de tudo, fica sentadinha e balbucia as primeiras quase-palavras, tem nos presenteado dia a dia com seu sorriso fácil e seus gritos fortes que demonstram a personalidade (com uma Lua e uma Sol em casa, queria o quê?) de quem lutou desde os primeiros segundos de vida para estar aqui e que, se quiser, vai ser Dona do Mundo. Alguém aí duvida?

Luna brincando com a 'tia Lu' no batizado da Sol, mês passado...

5 de abril de 2012

Mais uma vitória

O telefone tocou pela manhã trazendo uma notícia pra lá de especial: conseguimos a Synagis! Nosso pedido foi aprovado pelo Governo do Estado e na terça-feira a pequena Luna já vai receber a primeira dose da medicação, lá no Guilherme Álvaro, em Santos.
Foi um alívio enorme! Eu estava meio insegura, achando que não íamos conseguir a aprovação, afinal essa 'vacina' é dada preferencialmente para prematuros com menos de 28 semanas... mas, graças a Deus, tudo deu certo e, já na próxima semana, começaremos esse tratamento que é fundamental para os pequeninos, e tão caro para nós, maioria dos mortais...

Quanto vale a informação?
Ter ciência dos nossos direitos e estar bem informado é fundamental para que possamos usufruir de benefícios como este, da Synagis. Eu não tinha ideia, mas o próprio Município, pelo menos é o caso de Bertioga (e isso é uma coisa extremamente positiva), tem condições de comprar remédios de alto custo para a população.
Quando surgiram as dúvidas quanto à possibilidade de conseguirmos essa medicação, procurei um amigo meu, que é advogado, e cuja irmã trabalha com a distribuição de remédios de alto custo na secretaria de Saúde do município. Foi ele quem me orientou a entrar com o pedido por aqui também. Fui muito bem atendida na secretaria, e já estava com toda a documentação pronta para dar entrada no pedido quando recebi, hoje pela manhã, o telefonema da enfermeira Débora dando a boa notícia...
Mas, e se eu não tivesse conseguido o benefício pelo Estado e nem tivesse ficado sabendo sobre a possibilidade de obtê-lo pelo município? Teria que entrar com uma ação judicial ou ficaria sem o tratamento, afinal os dois anos de medicação ficariam em torno de 90 mil reais - algo impensável para nossos orçamentos.
E isso é apenas um exemplo... quantas pessoas deixam de comprar remédios ou fazer  tratamentos por não ter condições de pagá-los, sem saber que o Município ou o Estado os oferecem gratuitamente? Muitas vezes não há campanhas ou informações disponíveis sobre isso. Por isso, temos que ir atrás. Buscar sempre nos manter informados sobre tudo o que é feito pela Administração Pública, tudo o que é de direito de todo o cidadão...

Essa é a Synagis, Palivizumabe
 indicada na prevenção de infeções graves causadas pelo vírus sincicial respiratório,
e essencial para os pequenos prematuros 

3 de março de 2012

Cinco meses em dois...

É mais ou menos isso: Luna completou cinco meses de vida, mas apenas dois conosco, em casa. Passou voando, é verdade, e já aprendemos muitas coisas uma com a outra: ela gosta de dormir encostadinha no colo ou na cama, coladinha no rolinho. Também não quer mais ser carregada deitadinha nos braços, feito um bebê. Quer ver o mundo. Então, prefere que a segure com o braço em volta da barriguinha, em pé, pra ver o movimento. Dorme bem à noite, mas apenas sonequinhas 'de nada' durante o dia. Fofa que só.
Fomos à pediatra na quinta-feira. Ela não tem engordado muito. Foram apenas 200 gramas em 15 dias. Cresceu mais um centímetro e meio. São 2.790kg e 50,5cm. Praticamente uma recém-nascida... mas já tá bem espertinha: olha tudo com muita atenção, já vira na cama, sorri bastante e balbucia. Lindona!
Como ela não tem ganhado muito peso, resolvemos fazer um teste para ver se não era intolerância à lactose e então trocamos o leite Enfamil por um leite de soja (ah, meu leite secou =(  ... mas até que durou bastante depois de tudo o que passamos...) adoçado com um 'açúcar falso' sem sacarose... na primeira mamada achei que ela tinha gostado mais, mamou 30ml a mais que o normal, mas depois percebi que a coliquinha aumentou e ela ficava mais estufadinha depois das mamadas.
Resolvi voltar ao Nan, mas adoçado. Ela gostou também. Então, cheguei a conclusão de que o negócio dela é o docinho do Nidex... espertinha!!
Por conta desse teste da intolerância à lactose, passei um sufoco na quinta-feira. A pediatra pediu um exame de sangue e resolvemos fazer lá em Santos mesmo. Fomos ao laboratório do Ana Costa, mas ninguém conseguiu fazer a coleta. Tentamos três vezes e nada. A veinha fina não dava chances para as infermeiras. Depois disso, a pediatra pediu para irmos até o Hospital, e as enfermeiras da UTI neonatal tentaram coletar o sangue, também sem sucesso. Por último, uma médica de plantão tentou fazer a coleta por uma artéria, mas mesmo assim nada. Depois de umas duas tentativas da doutora pedi pra parar. Era judiação demais pra pequena. Ficamos sem fazer o teste e ainda sem o resultado. Vou tentar com a troca do leite, com a adição do açúcar, sei lá, mas furar a pequena de novo, só em último caso.
Ainda bem que ela é uma Guerreira mesmo. Depois de tudo isso, ainda chegou em casa e mamou bastante, dormiu bem e no outro dia já estava refeita... só com o bracinho meio roxinho e com umas marquinhas das picadas, mas sorridente, como sempre.
Também aproveitamos o dia para dar entrada no pedido do Synagis, um medicamento de alto custo que ela vai precisar.
A Synagis (Palivizumabe), para quem não sabe é um tipo de vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório, que faz grandes estragos na saúde de prematurinhos com problemas cardíacos ou respiratórios, o que é o caso de mais de 90% dos bebês que nascem antes de 30 semanas.
Em São Paulo, o período de risco é de fevereiro a outubro, com maior incidência de maio até setembro. A medicação deve ser aplicada em 5 doses, mensalmente de maio a setembro, nos dois primeiros anos de vida. Sabe o valor de cada dose? Aproximadamente 6 mil reais... isso mesmo. E nenhum plano de saúde cobre. Ou seja, teríamos que desembolsar quase 30 mil reais por ano, até ela completar dois anos de vida, para nossa pequena ter acesso a este medicamento. O tratamento completo ficaria em torno dos 90 mil...
Digo 'teria' e 'ficaria' porque, graças a Deus, em SP, o Estado fornece gratuitamente essa vacina em alguns casos. Segundo nossa pediatra, a Luna preenche todos os pré-requisitos para receber gratuitamente as doses. Então, agora precisamos aguardar o contato da Diretoria Regional de Saúde pra saber se deu tudo certo e se ela vai poder receber a tal da Synagis sem que tenhamos que vender a alma para conseguir o tratamento. Estamos rezando para que tudo dê certo!
E pra quem não viu ainda no Face, segue a fotinho do sorrisinho dela, pra encher o coração de alegria.

1 de fevereiro de 2012

Reorganizando a vida

Nossa, o primeiro mês em casa com a Luna passou que passou voando. Nem sei dizer se já consegui me adaptar. Foi tudo tão insólito, tão maluco. E como a vida não espera, o jeito foi ir rearrumando as coisas como deu. E acho que está dando certo.
Aproveitei a marca dos 30 dias para reorganizar minha vida num todo. Uma das coisas mais surpreendentes é que comecei a acordar cedo - acho que só havia feito isso uma vez na vida, na oitava série que cursei de manhã.
A Gabi agora entra na escola às 7h10, então 6h15 já estamos de pé, eu e ela. E Luna. Isso também me motivou a começar uma dieta. Como falei para o meu marido "- Cansei de ser gorda. Dá muito trabalho". Tirei o programa dos Vigilantes do Peso do fundo do armário e comecei minha reeducação alimentar. Claro, com ressalvas por conta da amamentação, que vai firme e forte. Criei um diário e estou seguindo bem. O objetivo é perder os 10kg que me separam do meu antigo corpo em 4 meses. Acho que é uma meta bem realista e vai dar pra fazer na boa.
Já estou me movimentando também. Como ainda não consegui voltar para o Pilates (ainda não pensei numa forma de deixar ou levar a Luna), o jeito é me virar como dá: estou pulando corda, fazendo agachamento com o carrinho do bebê, levantando pesinhos e vou começar a caminhar de manhã, pelo menos três vezes por semana, depois que deixar a Gabi na escola. Estou determinada. Vamos ver onde conseguimos chegar...
A pequena Luna está ótima. O peso vai subindo aos poucos e aos poucos, também, vamos nos acostumando com a rotina de remédios e idas frequentes à pediatra. Fora as cólicas, nada tem tirado nosso bom humor.
Já fomos almoçar fora domingo passado e foi demais. Eu estava precisando sair um pouco de casa, para algum lugar que não fosse uma clínica médica.
Comprei outro sling, modelo canguru, então enquanto ela se acaba de dormir encostadinha no meu colo, eu posso escrever um pouco pra colocar tudo em dia. Faltam as fotinhos, que vou postar, prometo!
Enfim, seguimos fortes, esperando os próximos desafios que, claro, virão. Mas que serão superados, um a um.  


7 de dezembro de 2011

Presente compartilhado

Só quem é mãe é capaz de entender o que significa ter seu filho nos braços.
Demorei 71 dias para ninar minha pequena pela primeira vez. Foi por uns poucos minutos. Minutos tão valiosos que eu nem vi passar... queria que não passassem nunca.
Nos olhamos, ela sorriu e chorou - só tinha escutado seu chorinho quando ela nasceu. Foi emocionante. Impossível descrever o que senti. Sou incapaz de traduzir em palavras o que aconteceu entre nós naqueles instantes mágicos.
Sou muito grata por poder viver isso... a Luna tem causado uma transformação tão grande em nossas vidas que nem me lembro bem de quem fui tempos atrás. Pareço outra pessoa; me sinto outra pessoa. Nasci outra naquele 26 de setembro...
Hoje, foi como nascer de novo também. Para mim e para ela. Foi como completar um ciclo que estava inacabado, que faltava fechar. Acho que foi isso. Encerramos uma fase e começamos outra.
Claro que muitas etapas virão - tomara que venham mesmo, estou pronta! - mas essa precisa ser comemorada com muita alegria. Foi uma vitória sofrida, suada, e muito esperada... obrigada aos amigos por nos ajudarem a passar o bastão nos momentos exatos e por torcerem, muito e sempre, por essa conquista! Noite enluarada com um brilho especial para todos!

*Posto nossa primeira fotinho juntas, ainda com um pouco de receio por causa da imagem da sondinha no nariz... não fiquem tristes nem se deixem abater, é só um canalzinho para alimentação... ela já respira sozinha e agora ganha peso para poder vir para casa (está com 1kg890)... e, afinal, eu precisava compartilhar essa imagem de Amor com vocês! Grata por tudo!



30 de novembro de 2011

Calendário do Advento

Resolvi fazer um 'calendário do Advento' este ano para as meninas acompanharem a chegada do Natal. Nos saquinhos, coloquei alguns 'mimos' que vão desde carimbinhos e doces, até 'vale-beijos' e imagens referentes à data...
Imaginem se já não estão superanimadas...

Pregadores feitos em EVA pela artista Pati Guerrato, um mais fofo que o outro!


Fiz saquinhos com números de 1 a 25, para coincidir com a chegada do Natal

Sol animadíssima para abrir os saquinhos... rsrsrs


O Calendário do Advento vem dos Luteranos alemães, que, ao menos até o começo do século XIX, faziam a contagem regressiva para o dia do Advento. Frequentemente, a contagem era feita com um simples risco de giz na porta a cada dia, começando em primeiro de dezembro. Algumas famílias tinha meios mais elaborados de marcar os dias, como acender uma nova vela (talvez a gênese das atuais coroas do Advento) ou pendurando um santinho na parede a cada dia.

Arte terapia

Nada melhor do que ocupar a mente nesses momentos de tensão.
Estava procurando alguma coisa diferente para fazer, como boa leonina que sou, e me lembrei dos trabalhos do amigo Johnny Baltazar... entrei no face, mandei uma mensagem para ele, combinamos detalhes... Resultado: curso básico de pintura country uma vez por semana, e em casa! Tudo de bom!!


Porta-chaves de galinha
  
Papai Noel

Também voltei a fazer minhas costurinhas, que aprendi a fazer com a querida amiga Kelcia na época em que estava de licença-maternidade pelo nascimento da Sol.  
Capa de caderno feito com o passo-a-passo da ana Maria Saciloto, no canal da Verapatchwork do Youtube

Bordadinho em toalha

11 de novembro de 2011

Quarenta e cinco

Ontem, Luna fez 45 dias.
Foram os 45 dias mais intensos da minha vida. Literalmente, dias de Terapia Intensiva. Aprendi muito sobre muitas coisas. Posso dizer que sei muito mais sobre prematuridade, UTI neonatal e todos os seus equipamentos: incubadora, monitores de frequencia, CPAP, cateter, sonda gástrica, NPP e tantos outros.
Mas, mais do que isso, aprendi sobre a vida, as outras pessoas e sobre mim mesma.
Durante todo esse período, pesquisei e conheci casos parecidos com o nosso. Muitas mães e pais que viveram ou vivem momentos difíceis dentro das UTI´s. Alguns com finais felizes, outros nem tanto, mas, com certeza, todos com alguma experiência de vida para compartilhar.
Também pude renovar meus votos de amizade com muitas pessoas que há tempos não via. Pelo facebook, muitos têm acompanhado nossa história e as vitórias de nossa pequena guerreira. Por lá, e por aqui, recebo manifestações de carinho e muita energia boa dos amigos de perto e de longe, que têm me ajudado muito a superar os desafios desses últimos dias e a quem eu serei eternamente grata.
A recuperação de nossa pequena tem sido à conta-gotas, do tamanho de seus passinhos, mas sempre positiva. Passou dos 970g  para 1.670g. Superou infecções, grandes e pequenas, e ainda as supera. Afinal, elas vêm e vão com uma rapidez inacreditável. Quando pensamos que uma etapa foi vencida, lá vem uma bacteriazinha ou um vírus dar mais trabalho.
Mesmo assim, ela vai se recuperando de maneira incrível. Hoje, estamos combatendo uma infecção no pulmão. Esperamos que ela responda bem aos antibióticos e logo possa dar adeus a ela também. A parte respiratória está sendo trabalhada e a máquina de oxigênio tirada aos poucos. O intestino, que deu bastante trabalho, agora está melhor. Já está recebendo 16ml de leitinho de 3 em 3h. Com o uso de sedativos, nossa pequena desenvolveu o que os médicos chamam de 'síndrome de abstinência'. Para tratar os sintomas, está tomando outros remédios (vai entender, né?)... Hoje ou amanhã tudo pode mudar, afinal numa UTI as coisas acontecem rapidamente. Mas seja lá quais forem as mudanças, tenho certeza de que nossa pequena se sairá muito bem, pois ela tem demonstrado a todo o momento que está disposta a lutar pela vida e que tem pressa para estar com sua família.
Do lado de cá, tento dar o melhor de mim. Procuro manter minha serenidade, minha lucidez. Busco criar uma rotina para o restante da família, deixando sempre o lugar da pequena Luna bem demarcado, até para a Solzinha já ir se acostumando com a ideia... ciumentinha, a pequena!
O leite tem diminuído um pouco. Além de alugar a bomba elétrica, também estou tomando um remédio receitado pelo pediatra da UTI e reforçado por minha ginecologista, o Dogmatil. Parece que a produção tem aumentado. Tomara!!
Esperamos os próximos dias com certa ansiedade, mas tentamos viver um dia de cada vez, por mais clichê que isso possa parecer. Há coisas na vida que nos fazem repensar o sentido do tempo. E tudo o que tem acontecido conosco mudou completamente a forma como eu encaro a vida, o mundo, as pessoas. Estou totalmente transformada, e sei que ainda há muito ainda o que mudar. Estou pronta.

1 de novembro de 2011

"Se eu me salvei, foi pela fé, minha fé minha cultura, minha fé..." O Rappa

Sábado e domingo fomos ver nossa pequena Luna pela manhã. Como o boletim médico só sai às 18h, nada de notícias oficiais no final de semana. Apesar disso, valeu a pena mudar o horário de visita. Passamos o sábado com nossos amigos queridos (foi tão bom! Tava sentindo falta de todos. Obrigada!) e o domingo na maior preguiça. Hoje papai foi vê-la à tarde e conversou com o médico. Ainda sem grandes a...lterações em seu quadro clínico, nossa pequena-guerreira vem recebendo o leitinho da mamãe aos poucos: agora 5ml. Esse é mais um período de espera. Paciência sendo testada no limite. E fé também. Às vezes fico pensando sobre isso, sobre a fé. Parece algo tão irracional, apenas 'crer' que a vida tomará o caminho que desejamos... a 'Fé que Move Montanhas'... No entanto, não há nada de irracional nesse sentimento que carrego dentro de mim. É algo tão natural, como se algum tipo de 'conhecimento' me possibilitasse entender o sentido do sofrimento, tranformando-o em uma dor 'menor'. Como a dor do parto: no momento em que parecemos sucumbir, ouvimos o choro do bebê e, então, toda dor e sofrimento são recompensados.Bem disse Kardec: 'não há fé inquebrantável senão aquela que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade'. Em mim, a fé se apresenta como um sentimento positivo sobre as coisas. É a convicção de que existe a real possiblidade das coisas acontecerem conforme nosso querer. Além disso, creio no poder do pensamento, da palavra e das ações. Então, crer está intrinsecamente ligado a uma postura positiva perante às adversidades, já que essa forma de encarar as coisas ajuda a transformá-las, de alguma maneira, a nosso favor... Se paciência e calma são ingredientes fundamentais á fé, delas farei minhas companheiras inseparáveis. Vibrações positivas para todos!

26 de outubro de 2011

Um Mês

Hoje é um dia especial. Um dia de comemoração e de muita reflexão.
Hoje, comemoramos o primeiro mês de vida da Luna e, de certa forma, o meu também. Do parto, guardo alguns flashs: minha concentração para ficar acordada, algumas conversas sem sentido, o chorinho da minha pequena, o médico sentado ao meu lado tentando explicar o que tinha dado errado e como ele tinha consertado, e minha 'sorte', e do meu bebê, por termos sobrevivido... Tudo isso parece ter ficado em um passado tão longínquo, que às vezes tenho dúvidas se aconteceram dessa maneira mesmo; ou se aconteceram comigo... Nesses momentos, só tenho certeza do que realmente ficou: um Amor sem-fim pela pequena guerreira que ganhei.
Muitas coisas mudaram nesses últimos 30 dias. Dentro de mim, uma revolução. Quando soube que minha pequena ficaria na UTI assim que nascesse, fiquei tranquila. Sabia que ali ela seria bem cuidada. Os primeiros dias foram de apreensão. Porém, aquele pingo de gente, pesando menos de um quilo, demonstrou tanta coragem e vontade de viver que não tive outra escolha senão me manter forte também.
E, assim, os dias se passaram. Fé e positividade. Resignação e paciência.
Porém, o tempo é senhor, e resolveu nos testar. Diminuiu o ritmo dos dias, que passam cada vez mais lentos. Isso, somado à falta de grandes melhoras no quadro da pequena Luna, tem exigido demais de todos nós. Admito que há dias que me falta ânimo. Quando isso acontece, recorro às outras duas joias da minha vida, Sol e Gabi, a Deus e aos amigos espirituais. Tento estabelecer um equilíbrio para me manter sã. Dias difíceis esses...  família e amigos têm sido como anjos. Sou muito grata por tê-los em minha vida.
Neste 30º dia, enquanto escrevo e espero a hora de ver minha pequena, penso no quanto ela é especial e em toda a transformação que ela trouxe para nossas vidas. Sua coragem e força, diante de tamanho sofrimento... os dias passados na Neo, longe do conforto de casa e do amor e carinho da família. Tantos aparelhos, tantos desconfortos, tantos desconhecidos. E, ainda assim, um desejo imenso de ultrapassar tudo isso. Diante disso, que direito tenho eu de fraquejar?
Sou uma mãe de colo vazio, mas com o coração cheio de Amor, Esperança e Confiança. E por mais que esse tempo tente açoitar minhas convicções e sentimentos, não há nada que ele faça que possa vencer o sentimento que unem mãe e filho.

Brindemos, então, à vida. Esse instante tão raro.

10 de outubro de 2011

Apenas Mais Uma de Amor...


Como escrever sobre o Amor sem ser piegas? Pensei em começar com uma poesia ou com a letra de uma música. Esses são sempre bons inícios para essas coisas do coração. Nos deixam mais inspirados, sei lá... Eu sempre começo minhas cartas pra você assim, né? Mas como essa postagem é pública, queria que, de algum modo, fosse algo tipo 'pessoal e intransferível'. Não queria escrever coisas que coubessem em outras pessoas. Os sentimentos que trago aqui só dizem respeito a nós...

São quase oito anos de convivência. Algumas idas e vindas, desencontros e reencontros. Tentamos repensar nossas vidas separadamente. Não deu. Não dá.
Para muitos, somos um casal 'moderno'. Uma forma diferente de estar juntos. Para nós, somos simplesmente uma família. Sempre fomos. Antes mesmo da Sol chegar. E família 'é quem você escolhe pra você'.
Não é uma escolha fácil. São tantas dúvidas. Acho que a certeza só vem com o tempo. Com a vida. Essa vida que tem nos feito entender o quanto nossa sintonia é fina. Rara. Só nossa.

Descobrimos um pouco mais sobre nós nestes dias de dor, né?

Por detrás daquele cara relaxadão, superdescontraído e fácil de conviver, encontrei em você, ainda, um pai zeloso, comprometido, e um marido tão cuidadoso, que foi capaz de abrir mão de si mesmo para estar ao meu lado, entendendo minhas necessidades, minhas fraquezas e algumas recaídas que tive pelo caminho. Foi meu porto-seguro em todos os momentos.
Não que 'esse cara' não estivesse ali todos esses anos. É que nós, mulheres-mães, costumamos colocar todo mundo debaixo das asas e saimos por aí achando que podemos dar conta de tudo... mea culpa.
... Foi tão reconfortador não precisar ser tão forte o tempo todo...

Obrigada. Apesar de doloroso, todo esse processo tem sido gratificante e tem servido como fonte de transformação em nossas vidas. Não sei ainda quem seremos quando tudo isso acabar, mas creio que seremos pessoas melhores. Mais conscientes, mais amigas, mais atenciosas a tudo o que o Mundo tem para nos oferecer. Seremos melhores pais. Melhores amigos. Melhores amantes. Seremos cúmplices pelo resto da vida desses momentos que foram só nossos e que só servirão para nos tornar ainda mais companheiros.

Hoje entendo melhor o que é o Amor. Vai além do gostar, do tesão, do querer estar juntos. O Amor ultrapassa o sentido da vida... alcança o etéreo... e nos faz sentir tão plenos que, mesmo em meio às ondas mais turbulentas, nos permite seguir, serenos e confiantes, nosso navegar...

Amo-te. Pra sempre.

6 de outubro de 2011

Acretismo

...mais uma palavrinha feia que eu descobri nos últimos dias. Feia e perigosa. Ah, e bastante difícil de acontecer: 1 entre 2.500 mulheres tem placenta acreta. Agora pergunta se na Mega Sena eu acerto? Nem bingo eu ganho. Pois é, mais o tal do acretismo resolveu aparecer na minha vida e foi descoberto durante o parto da Luna, já bem complicadinho por si só.
Bom, segundo a wikipédia, acretismo ou placenta acreta é a "denominação que se dá à placenta que se adere anormalmente à parede uterina. É uma complicação obstétrica grave. A placenta geralmente se despreende da parede uterina de forma relativamente fácil, mas mulheres que possuem acretismo placentário durante o parto possuem um risco maior de hemorragia durante sua remoção. Isso geralmente requer cirurgia para conter o sangramento e remover completamente a placenta. Em formas graves pode frequentemente levar a uma histerectomia ou ser fatal". Assustador, né?
No meu caso, graças aos Céus, a penetração da placenta atingiu apenas uma pequena superfície do útero. E a equipe que me assistia no momento do parto contava com profissionais muito bons. Saldo disso tudo: uma barriga cheia de hematomas e a certeza de quanto minha vida é valiosa!
Uma vez me disseram que se a gente não conseguisse aprender nada com essas 'coisas' que acontecem na nossa vida, então nossa existência não teria valido a pena. Posso dizer com certeza: eu não sou mais a mesma pessoa de um mês atrás. Nunca as pequenas coisas tiveram tanta importância para mim. Coisas simples como tomar Sol, dormir ou acordar ao lado das minhas pequenas, ficar juntinho do meu marido, um leve abrir de olhos da Luna, cada respiro do Mundo tem um valor diferente agora. "O Coração, se pudesse pensar, pararia"

"... considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também" - Fernando Pessoa.


3 de outubro de 2011

Diário de uma grávida hipertensa III

"Não me entrego sem lutar / Tenho, ainda, coração / Não aprendi a me render / Que caia o inimigo então"


A noite passou com certa dificuldade. Acordei na segunda com fome e tomei meu café da manhã antes de ir fazer a ultrassom. Quando voltei, a enfermeira já me aguardava com aquele aventalzinho nas mãos... tinha chegado a hora. Difícil explicar o que senti. Não era medo, mas uma certa tensão. Tentei me concentrar. Controlar a respiração e manter a mente tranquila, como tantas vezes havia feito nas aulas de ioga. Porque será que parecia ser tão fácil?
No caminho até o centro cirúrgico, minha mente ia se preparando para o que viria logo a seguir. Me lembro bem de todos da equipe médica se apresentando e conversando entre eles sobre futilidades do dia-dia. O anestesista demorou para conseguir aplicar a raqui. Eu não estava conseguindo relaxar. Depois de umas tantas tentativas, resolvi deitar no ombro da enfermeira e tentar me concentrar na minha respiração. Deu certo. Depois disso, as pernas adormeceram e comecei a ficar com sono. Não sei dizer quanto tempo se passou, mas pareceu não demorar muito até ouvir o chorinho da Luna. Pela prematuridade, até que o choro era forte. Ouvi alguém dizer quer era 12h20. Todos me olharam felizes, vieram me cumprimentar... que alívio... a partir daí relaxei. O sinal vermelho só voltou a piscar quando o médico sentou do meu lado e começou a falar sobre algum problema que teria acontecido durante o parto, mas que ele havia conseguido resolver fazendo um tipo de ‘suspensório’ para segurar o útero... De novo, informação demais...
Voltei para o quarto, sem entender bem o que estava acontecendo. Eu tava morrendo de fome, era mais de 3 horas da tarde. Tomei o café da tarde com gosto e jantei ainda faminta, às 17h30. Aquela foi a melhor comida sem sal que já comi na vida. A noite, já estava bem disposta para ir ver a Luna. Minha pequena guerreira. Nasceu com 970g... e toneladas de vontade de viver...
Eu ainda não sabia nada sobre acretismo e o risco que havia corrido durante o parto... era um novo capítulo dessa história...

Diário de uma grávida hipertensa II

"Os dias passam lentos... aos meses seguem os aumentos..."

No meu caso: ‘aos dias seguem os aumentos de pressão’... Lembro que a primeira noite não foi nada boa. Difícil dormir grávida? Imagine então numa cama alta de hospital, tendo que descer o tempo todo para ir ao banheiro e fazer xixi num pote...
Bom, mas como não sou de ficar reclamando, decidi encarar os dias em alto astral. Mesmo dormindo mal e suando frio por causa dos remédios, procurava acordar bem, mesmo que às 6h da manhã para tirar sangue e pesar, mesmo às 7h para fazer ultrassom ou às 8h para tomar o café da manhã. Enfermeiras a todo instante para aferir pressão, dar remédio... o pessoal do Ana Costa foi sensacional. O trabalho com a saúde pública é realmente uma vocação. Quase um dom. Tem que gostar muito de gente, e gente de todo o tipo. Fora a questão das doenças, desgraças diárias e estudar muito para estar sempre bem atualizado...
Fui tão bem tratada que nem sei como agradecer tantas gentilezas e palavras de conforto e carinho. A equipe médica também me surpreendeu. Médicos jovens, mas seguros e competentes. A maioria muito atenciosa, gastando minutos preciosos para explicar todos os riscos que corríamos, eu e o bebê, para mim e para o Rodrigo. Eles me deixaram muito segura e, mesmo com medo, não tive dúvidas de que eles estavam fazendo o melhor que poderia ser feito naquela situação.

Bom, sobre o resultado dos exames, os dias correram com algumas melhoras, algumas pioras. Pressão subia, pressão baixava. Muita proteína na urina. Ultrassom com variações boas e más do líquido e dos vasos que irrigam o útero. Tensão o tempo todo, sem saber qual seria o dia do parto. Minha amiga querida Renata foi me visitar e comprou as primeiras pecinhas para o enxoval da bebê. Eu não tinha arrumado nada. A Soninha também apareceu para dar um oi e deixar um presentinho. Foi muito bom ver rostos amigos nesses dias. Conversar sobre futilidades. Esquecer um pouco as preocupações... conversei com muitos amigos também pelo telefone... vozes amigas, de pessoas muito queridas, mandando energia boa pra gente.

No domingo, dia 25, recebi as duas melhores visitas da minha vida: a Gabi e a Sol foram me ver. Parecia que o arco-íris tinha entrado no quarto. Como era bom ver aquelas carinhas. Nem eu tinha me dado conta de como eu estava com saudade delas. Meus sogros também foram e foi quase que um piquenique na beira da cama. A Sol curtiu ficar subindo e descendo a cabeceira da cama com o controle e a Gabi queria contar todas as novidades da escola, de casa, cantar, dançar... elas também sentiam minha falta. Era duro ficar longe daquela rotina saudável de casa... Depois que eles foram embora, já combinado que o Ro não voltaria para dormir comigo, para poder levar a Sol na escolinha no dia seguinte, primeiro dia de aula dela, o médico foi até o quarto e pelo tom preocupado da voz dele e pela conversa eu já sabia que, dependendo do resultado da ultrassom da manhã seguinte, o parto seria feito na segunda-feira. Liguei para o Ro e pedi para ele voltar cedo. Precisava dele do meu lado. Ele voltou na mesma noite. O médico conversou com a gente de novo e deixou bem claro toda a gravidade da situação. Há uma linha tênue que separa a vida da morte. Estávamos sobre ela, esperando o melhor momento para seguir nosso caminho...

Diário de uma grávida hipertensa I

21/09/2011 - O Começo de tudo

Era para ser uma consulta normal e rápida de pré-natal. Saímos (Ro e eu) de Bertioga levando a Sol à tiracolo. A babá havia pedido demissão um dia antes e, para não sobrecarregar minha mãe, decidi levar a pequena com a gente para Santos. Mal sabia eu que o dia renderia e eu só voltaria para casa uma semana depois.

Cheguei cedo ao consultório e logo fui atendida. Quando passei pela porta da sala da médica percebi nela um semblante de preocupação. Eu estava inchada e com olheiras. Sinais nada bons para uma grávida. Depois dos exames de praxe, incluindo uma aferição de pressão (alta, por sinal), ela foi direto ao ponto: “você não volta mais para Bertioga até o final da gravidez”. E enquanto ela ia falando sobre o resultado dos meus exames (o de proteinúria tinha dado positivo e a ultrassom apontava um ‘aumento da resistência da artéria uterina direita com incisura protodiastólica’) e explicando os riscos que eu corria com a pressão daquele jeito, eu ia imaginando tudo o que deixei pra trás sem solução: a Gabi sem explicações, trabalhos inacabados, escolinha para a Sol, minha mãe preocupada, enxoval sem comprar, quarto sem arrumar... voltei para a realidade quando ela me disse que, caso acontecesse algum problema com meu plano de saúde, ela me internaria no Guilherme Álvaro, um hospital público que é referência em gestações de risco. Foi, então, que surgiu essa palavrinha: RISCO. E eu me dei conta de que não era um simples problema de pressão alta. O negócio era sério. Ela pediu pra chamar o Rodrigo e conversou com ele. Explicou tudo e deixou bem claro que eu não voltaria para Bertioga com aquele quadro, pois não haveria chance de vida para o bebê e eu correria grandes riscos.

Confesso que não foi fácil assimilar tudo isso de uma vez. Achava que a culpa era minha, mas sabia que estava fazendo todo o possível para me cuidar e cuidar do bebê. A dieta hipossódica, grandes períodos de descanso e os remédios nos horários certos, inclusive os da madrugada... tudo estava sendo feito, mas nada da bendita abaixar.

Bom, como não havia outro remédio, resolvi aceitar ‘a parte que me cabe deste latifúndio’ e partir para a luta. Corremos para o hospital Ana Costa e, depois de alguns exames, fiquei internada novamente. A Solzinha se comportou super bem, esperou eu terminar tudo e ir para o quarto com a maior das paciências possíveis a uma criança sapeca de 2 anos.

Meu marido foi fantástico, por isso merece uma postagem especial só sobre ele...rsrs. Verdade: não é fácil segurar a barra e ainda resolver todos os problemas de casa que eu havia deixado pra trás. Assim, resumindo este dia de fortes emoções na minha vida, fiquei internada com a pressão alta e a certeza de que não demoraria muito para conhecer o rostinho da minha filhinha, para quem nem o nome havia sido escolhido ainda... afe!

Sob Pressão

Nas últimas semanas descobri o que é viver sob pressão. Descobri também que, na gravidez, hipertensão é sintoma de uma ‘doença’ que tem um nome feio que só: eclampsia. Por conta dela, a partir da 25ª semana de gravidez, passei por dias tensos, recheados de elevações rápidas de pressão, edemas nos pés e rosto, algumas dores de cabeça e idas e vindas ao médico. Todos esses sintomas juntos me custaram uma internação de três dias no final de agosto. Porém, apesar da pressão alta constante (14x10 virou rotina), os exames não apontaram nenhum problema. Tudo negativo. Com a alta do hospital, voltamos para casa com uma pontinha de preocupação, mas confiantes de que era apenas uma crise de hipertensão.

Não que fosse fácil aceitar esse diagnóstico. É duro ter que aceitar uma doença sem saber direito de onde veio, para onde vai. Eu nunca tive pressão alta na minha vida. Muito pelo contrário. Sempre me gabei de ter escapado da ‘genética’ familiar que já obrigou meus irmãos a fazerem uso de remédios contínuos, faz minha mãe travar lutas diárias de um sobe e desce de pressão sem fim, e por anos perseguiu meu pai, que era cardiopata e que morreu aos 67 anos por conta de um infarto.
Eu, por minha vez, aos 35, tinha como doença mais grave em meu prontuário uma pequena cirurgia de varizes. Fora isso, duas gravidezes bem saudáveis – uma normal, outra cesária (e por conta do mau posicionamento do cordão umbilical) -, atividade física frequente, alimentação relativamente saudável e um estado de espírito tão zen que até irritava algumas pessoas...rsrs. E, então, do nada, no meio desta terceira gestação, surgiu a hipertensão na minha vida. Mas que já tá avisada: bora arrumar as malas, que aqui não é seu lugar...

1 de julho de 2011

Minha Vida de acordo com Chico Buarque...

Brincadeirinha tirada do Facebook... Achei bem legal. Trouxe para compartilhar aqui:



É o seguinte: escolha um cantor, cantora ou banda e responda as questões abaixo com o título de uma música deste artista... Meu escolhido foi o Chico Buarque (amo!!!), e o seu?



Você é um homem ou mulher? Lola
Descreva-se: Beatriz
Como você se sente: Cálice
Descreva o local onde você vive atualmente: Tanto Mar
Se você pudesse ir a qualquer lugar, onde você iria? Festa Imodesta
Sua forma de transporte preferido? Estação Derradeira
Seu melhor amigo: As Minhas Meninas
Você e seu melhor amigo são: Tatuagem
Qual é o clima? Tropicália
Hora do dia favorita: Meio Dia Meia Lua
Se sua vida fosse um programa de TV, do que seria chamado? Partido Alto
O que é vida para você: Bancarrota Blues
Seu relacionamento: Eu Te Amo e De Todas As Maneiras
Seu medo: Tanta Saudade
Qual é o melhor conselho que você tem a dar: Amanhã Ninguém Sabe
Pensamento do Dia: Com Açúcar, Com Afeto
Meu lema: Apesar de Você







14 de junho de 2011

Eu quero um!!














Podem me chamar de saudosista, mas não dá pra resistir a uma gracinha dessas!! Quem fez datilografia (tudo bem que não existem muitos datilógrafos hoje em dia!) sabe do que estou falando...rs...
O Valentine Notebook, um conceito inspirado na máquina de escrever da Olivetti com o mesmo nome, é um computador com cara de máquina de escrever. Ele é um pouquinho maior que os notes normais, mas não dá pra negar que é cheio de personalidade!

 

23 de maio de 2011

De volta à ativa... de gravidez a Zeca Baleiro!

Nossa, quanto tempo eu fiquei fora! Quase dois meses! Também, foram tantas novidades e atividades neste período que quase não me sobrou tempo pra nada. Explico: terminei meu TCC, ganhei outras obrigações no meu trampo e descobri que estava grávida.... uau. Esta última novidade foi de tirar o fôlego. Agora já estou mais acostumada com a ideia, mas não foi nada fácil, não... Portanto, entendam se agora eu começar a falar demais sobre bebês, decoração, roupinhas, alimentação saudável....kkkkk.... coisas de mamãe.


Show para ficar na história!

Bom, mas para comemorar o retorno aos posts, uma foto do show incrível que o Zeca Baleiro fez aqui em Bertioga em comemoração ao aniversário da cidade... tudo de bom!