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27 de junho de 2012

Pique-pique

Ter filhos é uma aventura. Não importa quantos anos eles tenham, a gente está sempre aprendendo. Os bebês então, nos surpreendem a cada dia. É uma descoberta após outra, uma após outra, até que temos a impressão que nada mais nos surpreende, e então chega a temida adolescência...rsrs...

Agora, para uma mãe de bebê prematuro, essas alegrias diárias têm um gostinho pra lá de especial. São pequenas vitórias que comemoramos com o coração cheio de alegria e um certo alívio, difícil de explicar... parece que a cada passo dado, um peso enorme é tirado dos nossos ombros.

Pensar que aquele serzinho, pequitico, que nasceu com menos de 1kg, se tornou uma bebê alegre, esperta e cheia de vida é ter a certeza de que todo o sofrimento, todos os sacrifícios e momentos de dor foram pequenas fagulhas, que já se apagaram, tornaram-se pó.

Poder comemorar os nove meses da nossa pequena Luna, por si só, já é um grande motivo de felicidade em nossas vidas. Comemorar esta data, vendo a criança ativa, alegre e saudável que ela tem se tornado, é mais do que ser feliz. É sentir-se completo. Pleno de um Poder Divino que poucos conseguem sentir. Impossível definir.

Ouvir a Sol cantar parabéns para a irmãzinha foi um grande presente para mim. Foi um momento que não registrei por falta de uma máquina à mão, mas guardei no meu coração, lá no ‘ranking’ dos mais-mais da minha vida.

Essa pequena sapeca, que já come de tudo, fica sentadinha e balbucia as primeiras quase-palavras, tem nos presenteado dia a dia com seu sorriso fácil e seus gritos fortes que demonstram a personalidade (com uma Lua e uma Sol em casa, queria o quê?) de quem lutou desde os primeiros segundos de vida para estar aqui e que, se quiser, vai ser Dona do Mundo. Alguém aí duvida?

Luna brincando com a 'tia Lu' no batizado da Sol, mês passado...

3 de março de 2012

Cinco meses em dois...

É mais ou menos isso: Luna completou cinco meses de vida, mas apenas dois conosco, em casa. Passou voando, é verdade, e já aprendemos muitas coisas uma com a outra: ela gosta de dormir encostadinha no colo ou na cama, coladinha no rolinho. Também não quer mais ser carregada deitadinha nos braços, feito um bebê. Quer ver o mundo. Então, prefere que a segure com o braço em volta da barriguinha, em pé, pra ver o movimento. Dorme bem à noite, mas apenas sonequinhas 'de nada' durante o dia. Fofa que só.
Fomos à pediatra na quinta-feira. Ela não tem engordado muito. Foram apenas 200 gramas em 15 dias. Cresceu mais um centímetro e meio. São 2.790kg e 50,5cm. Praticamente uma recém-nascida... mas já tá bem espertinha: olha tudo com muita atenção, já vira na cama, sorri bastante e balbucia. Lindona!
Como ela não tem ganhado muito peso, resolvemos fazer um teste para ver se não era intolerância à lactose e então trocamos o leite Enfamil por um leite de soja (ah, meu leite secou =(  ... mas até que durou bastante depois de tudo o que passamos...) adoçado com um 'açúcar falso' sem sacarose... na primeira mamada achei que ela tinha gostado mais, mamou 30ml a mais que o normal, mas depois percebi que a coliquinha aumentou e ela ficava mais estufadinha depois das mamadas.
Resolvi voltar ao Nan, mas adoçado. Ela gostou também. Então, cheguei a conclusão de que o negócio dela é o docinho do Nidex... espertinha!!
Por conta desse teste da intolerância à lactose, passei um sufoco na quinta-feira. A pediatra pediu um exame de sangue e resolvemos fazer lá em Santos mesmo. Fomos ao laboratório do Ana Costa, mas ninguém conseguiu fazer a coleta. Tentamos três vezes e nada. A veinha fina não dava chances para as infermeiras. Depois disso, a pediatra pediu para irmos até o Hospital, e as enfermeiras da UTI neonatal tentaram coletar o sangue, também sem sucesso. Por último, uma médica de plantão tentou fazer a coleta por uma artéria, mas mesmo assim nada. Depois de umas duas tentativas da doutora pedi pra parar. Era judiação demais pra pequena. Ficamos sem fazer o teste e ainda sem o resultado. Vou tentar com a troca do leite, com a adição do açúcar, sei lá, mas furar a pequena de novo, só em último caso.
Ainda bem que ela é uma Guerreira mesmo. Depois de tudo isso, ainda chegou em casa e mamou bastante, dormiu bem e no outro dia já estava refeita... só com o bracinho meio roxinho e com umas marquinhas das picadas, mas sorridente, como sempre.
Também aproveitamos o dia para dar entrada no pedido do Synagis, um medicamento de alto custo que ela vai precisar.
A Synagis (Palivizumabe), para quem não sabe é um tipo de vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório, que faz grandes estragos na saúde de prematurinhos com problemas cardíacos ou respiratórios, o que é o caso de mais de 90% dos bebês que nascem antes de 30 semanas.
Em São Paulo, o período de risco é de fevereiro a outubro, com maior incidência de maio até setembro. A medicação deve ser aplicada em 5 doses, mensalmente de maio a setembro, nos dois primeiros anos de vida. Sabe o valor de cada dose? Aproximadamente 6 mil reais... isso mesmo. E nenhum plano de saúde cobre. Ou seja, teríamos que desembolsar quase 30 mil reais por ano, até ela completar dois anos de vida, para nossa pequena ter acesso a este medicamento. O tratamento completo ficaria em torno dos 90 mil...
Digo 'teria' e 'ficaria' porque, graças a Deus, em SP, o Estado fornece gratuitamente essa vacina em alguns casos. Segundo nossa pediatra, a Luna preenche todos os pré-requisitos para receber gratuitamente as doses. Então, agora precisamos aguardar o contato da Diretoria Regional de Saúde pra saber se deu tudo certo e se ela vai poder receber a tal da Synagis sem que tenhamos que vender a alma para conseguir o tratamento. Estamos rezando para que tudo dê certo!
E pra quem não viu ainda no Face, segue a fotinho do sorrisinho dela, pra encher o coração de alegria.

7 de dezembro de 2011

Presente compartilhado

Só quem é mãe é capaz de entender o que significa ter seu filho nos braços.
Demorei 71 dias para ninar minha pequena pela primeira vez. Foi por uns poucos minutos. Minutos tão valiosos que eu nem vi passar... queria que não passassem nunca.
Nos olhamos, ela sorriu e chorou - só tinha escutado seu chorinho quando ela nasceu. Foi emocionante. Impossível descrever o que senti. Sou incapaz de traduzir em palavras o que aconteceu entre nós naqueles instantes mágicos.
Sou muito grata por poder viver isso... a Luna tem causado uma transformação tão grande em nossas vidas que nem me lembro bem de quem fui tempos atrás. Pareço outra pessoa; me sinto outra pessoa. Nasci outra naquele 26 de setembro...
Hoje, foi como nascer de novo também. Para mim e para ela. Foi como completar um ciclo que estava inacabado, que faltava fechar. Acho que foi isso. Encerramos uma fase e começamos outra.
Claro que muitas etapas virão - tomara que venham mesmo, estou pronta! - mas essa precisa ser comemorada com muita alegria. Foi uma vitória sofrida, suada, e muito esperada... obrigada aos amigos por nos ajudarem a passar o bastão nos momentos exatos e por torcerem, muito e sempre, por essa conquista! Noite enluarada com um brilho especial para todos!

*Posto nossa primeira fotinho juntas, ainda com um pouco de receio por causa da imagem da sondinha no nariz... não fiquem tristes nem se deixem abater, é só um canalzinho para alimentação... ela já respira sozinha e agora ganha peso para poder vir para casa (está com 1kg890)... e, afinal, eu precisava compartilhar essa imagem de Amor com vocês! Grata por tudo!



3 de outubro de 2011

Diário de uma grávida hipertensa III

"Não me entrego sem lutar / Tenho, ainda, coração / Não aprendi a me render / Que caia o inimigo então"


A noite passou com certa dificuldade. Acordei na segunda com fome e tomei meu café da manhã antes de ir fazer a ultrassom. Quando voltei, a enfermeira já me aguardava com aquele aventalzinho nas mãos... tinha chegado a hora. Difícil explicar o que senti. Não era medo, mas uma certa tensão. Tentei me concentrar. Controlar a respiração e manter a mente tranquila, como tantas vezes havia feito nas aulas de ioga. Porque será que parecia ser tão fácil?
No caminho até o centro cirúrgico, minha mente ia se preparando para o que viria logo a seguir. Me lembro bem de todos da equipe médica se apresentando e conversando entre eles sobre futilidades do dia-dia. O anestesista demorou para conseguir aplicar a raqui. Eu não estava conseguindo relaxar. Depois de umas tantas tentativas, resolvi deitar no ombro da enfermeira e tentar me concentrar na minha respiração. Deu certo. Depois disso, as pernas adormeceram e comecei a ficar com sono. Não sei dizer quanto tempo se passou, mas pareceu não demorar muito até ouvir o chorinho da Luna. Pela prematuridade, até que o choro era forte. Ouvi alguém dizer quer era 12h20. Todos me olharam felizes, vieram me cumprimentar... que alívio... a partir daí relaxei. O sinal vermelho só voltou a piscar quando o médico sentou do meu lado e começou a falar sobre algum problema que teria acontecido durante o parto, mas que ele havia conseguido resolver fazendo um tipo de ‘suspensório’ para segurar o útero... De novo, informação demais...
Voltei para o quarto, sem entender bem o que estava acontecendo. Eu tava morrendo de fome, era mais de 3 horas da tarde. Tomei o café da tarde com gosto e jantei ainda faminta, às 17h30. Aquela foi a melhor comida sem sal que já comi na vida. A noite, já estava bem disposta para ir ver a Luna. Minha pequena guerreira. Nasceu com 970g... e toneladas de vontade de viver...
Eu ainda não sabia nada sobre acretismo e o risco que havia corrido durante o parto... era um novo capítulo dessa história...

Diário de uma grávida hipertensa I

21/09/2011 - O Começo de tudo

Era para ser uma consulta normal e rápida de pré-natal. Saímos (Ro e eu) de Bertioga levando a Sol à tiracolo. A babá havia pedido demissão um dia antes e, para não sobrecarregar minha mãe, decidi levar a pequena com a gente para Santos. Mal sabia eu que o dia renderia e eu só voltaria para casa uma semana depois.

Cheguei cedo ao consultório e logo fui atendida. Quando passei pela porta da sala da médica percebi nela um semblante de preocupação. Eu estava inchada e com olheiras. Sinais nada bons para uma grávida. Depois dos exames de praxe, incluindo uma aferição de pressão (alta, por sinal), ela foi direto ao ponto: “você não volta mais para Bertioga até o final da gravidez”. E enquanto ela ia falando sobre o resultado dos meus exames (o de proteinúria tinha dado positivo e a ultrassom apontava um ‘aumento da resistência da artéria uterina direita com incisura protodiastólica’) e explicando os riscos que eu corria com a pressão daquele jeito, eu ia imaginando tudo o que deixei pra trás sem solução: a Gabi sem explicações, trabalhos inacabados, escolinha para a Sol, minha mãe preocupada, enxoval sem comprar, quarto sem arrumar... voltei para a realidade quando ela me disse que, caso acontecesse algum problema com meu plano de saúde, ela me internaria no Guilherme Álvaro, um hospital público que é referência em gestações de risco. Foi, então, que surgiu essa palavrinha: RISCO. E eu me dei conta de que não era um simples problema de pressão alta. O negócio era sério. Ela pediu pra chamar o Rodrigo e conversou com ele. Explicou tudo e deixou bem claro que eu não voltaria para Bertioga com aquele quadro, pois não haveria chance de vida para o bebê e eu correria grandes riscos.

Confesso que não foi fácil assimilar tudo isso de uma vez. Achava que a culpa era minha, mas sabia que estava fazendo todo o possível para me cuidar e cuidar do bebê. A dieta hipossódica, grandes períodos de descanso e os remédios nos horários certos, inclusive os da madrugada... tudo estava sendo feito, mas nada da bendita abaixar.

Bom, como não havia outro remédio, resolvi aceitar ‘a parte que me cabe deste latifúndio’ e partir para a luta. Corremos para o hospital Ana Costa e, depois de alguns exames, fiquei internada novamente. A Solzinha se comportou super bem, esperou eu terminar tudo e ir para o quarto com a maior das paciências possíveis a uma criança sapeca de 2 anos.

Meu marido foi fantástico, por isso merece uma postagem especial só sobre ele...rsrs. Verdade: não é fácil segurar a barra e ainda resolver todos os problemas de casa que eu havia deixado pra trás. Assim, resumindo este dia de fortes emoções na minha vida, fiquei internada com a pressão alta e a certeza de que não demoraria muito para conhecer o rostinho da minha filhinha, para quem nem o nome havia sido escolhido ainda... afe!