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10 de outubro de 2011
Apenas Mais Uma de Amor...
Como escrever sobre o Amor sem ser piegas? Pensei em começar com uma poesia ou com a letra de uma música. Esses são sempre bons inícios para essas coisas do coração. Nos deixam mais inspirados, sei lá... Eu sempre começo minhas cartas pra você assim, né? Mas como essa postagem é pública, queria que, de algum modo, fosse algo tipo 'pessoal e intransferível'. Não queria escrever coisas que coubessem em outras pessoas. Os sentimentos que trago aqui só dizem respeito a nós...
São quase oito anos de convivência. Algumas idas e vindas, desencontros e reencontros. Tentamos repensar nossas vidas separadamente. Não deu. Não dá.
Para muitos, somos um casal 'moderno'. Uma forma diferente de estar juntos. Para nós, somos simplesmente uma família. Sempre fomos. Antes mesmo da Sol chegar. E família 'é quem você escolhe pra você'.
Não é uma escolha fácil. São tantas dúvidas. Acho que a certeza só vem com o tempo. Com a vida. Essa vida que tem nos feito entender o quanto nossa sintonia é fina. Rara. Só nossa.
Descobrimos um pouco mais sobre nós nestes dias de dor, né?
Por detrás daquele cara relaxadão, superdescontraído e fácil de conviver, encontrei em você, ainda, um pai zeloso, comprometido, e um marido tão cuidadoso, que foi capaz de abrir mão de si mesmo para estar ao meu lado, entendendo minhas necessidades, minhas fraquezas e algumas recaídas que tive pelo caminho. Foi meu porto-seguro em todos os momentos.
Não que 'esse cara' não estivesse ali todos esses anos. É que nós, mulheres-mães, costumamos colocar todo mundo debaixo das asas e saimos por aí achando que podemos dar conta de tudo... mea culpa.
... Foi tão reconfortador não precisar ser tão forte o tempo todo...
Obrigada. Apesar de doloroso, todo esse processo tem sido gratificante e tem servido como fonte de transformação em nossas vidas. Não sei ainda quem seremos quando tudo isso acabar, mas creio que seremos pessoas melhores. Mais conscientes, mais amigas, mais atenciosas a tudo o que o Mundo tem para nos oferecer. Seremos melhores pais. Melhores amigos. Melhores amantes. Seremos cúmplices pelo resto da vida desses momentos que foram só nossos e que só servirão para nos tornar ainda mais companheiros.
Hoje entendo melhor o que é o Amor. Vai além do gostar, do tesão, do querer estar juntos. O Amor ultrapassa o sentido da vida... alcança o etéreo... e nos faz sentir tão plenos que, mesmo em meio às ondas mais turbulentas, nos permite seguir, serenos e confiantes, nosso navegar...
Amo-te. Pra sempre.
27 de setembro de 2010
CONTRIBUIções
A guerrilha estadista de Fidel
(*) Léo Alves
Aos 84 anos de idade, e após dois anos de afastamento do poder efetivo no comando do governo marxista-leninista de Cuba – por causa de doenças gastrointestinais -, Fidel Castro, que chefiou a revolução comunista naquela ilha caribenha em 1959, volta à cena política. O pano de fundo é
uma longa entrevista, por ele agendada, concedida, no final de agosto, a um jornalista norte-americano, Jefrey Goldberg, da revista Atlantic Magazine. Por que a encenação?, eis a pergunta. Simploriamente deduziria-se que Fidel, ao criticar antissemitismo, ‘puxar a orelha’ de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, e entusiasmar-se ao falar sobre sua paixão por golfinhos, “animais muito inteligentes”, reiteradamente acentuado, está gagá. Mas não está. Leitura geopolítica do texto de duas páginas do caderno Ilustríssima, do jornal Folha de S. Paulo, do dia 12 (domingo), representa hábil tática de guerrilha midiática anti-americana e anti-conservadorismo judaico.
Fidel Castro, que segundo disse “depois de tudo o que vi, sabendo o que hoje sei” – referindo-se à proposta que fizera, em 1962, para que a então União Soviética fizesse ataque nuclear contra os EUA caso este invadisse Cuba -, está, como estadista internacional, sua atuação preferencial agora, inserindo uma atadura diplomática nos ímpetos guerreiros dos judeus tradicionalistas e dos norte-americanos republicanos belicistas, para alavancar conversações apaziguadoras entre Barak Obama (EUA) e Benjamin Netanyahu (Israel) com Mahmoud Ahmadinejad (Irã), personagens de uma possível guerra nuclear. Como o próprio jornalista escreveu, “o recado (de Fidel) é simples: Israel só terá segurança se abrir mão de seu arsenal nuclear, e as demais potências nucleares do mundo também estarão seguras caso abram mão dessas armas”. Em mensagem ao Irã, Fidel rebuscou em sua “história de infância” a lembrança de que o catolicismo, na comemoração da Sexta-Feira Santa, dizia que “os judeus mataram Deus”. E acrescenta: “O governo iraniano serviria melhor à causa da paz caso reconhecesse a história única do antissemitismo e tentasse compreender por que os israelenses temem por sua existência”. Se a linha não esticar, a conversa rola, Obama se fortalece, Netanyahu não enrijece e Ahmadinejad conclui os estoques de urânio.
E, por final, a impressão que o jornalista contraiu de Fidel Castro: “O corpo dele pode estar frágil, mas a mente permanece aguda; seu nível de energia é alto e no pós-poder exibe certo senso de humor auto-irônico”. Quem assessorou o repórter foi uma renomada especialista em assuntos cubanos e latino-americanos, Julia Sweig, do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, que conhece o revolucionário há 20 anos e dele recebeu um beijo e acalorada boas-vindas. Será que Fidel Castro passou de ditador socialista para estadista ideológico?
(*) Léo Alves, 51, é jornalista aposentado por invalidez retinopática.
(*) Léo Alves
Aos 84 anos de idade, e após dois anos de afastamento do poder efetivo no comando do governo marxista-leninista de Cuba – por causa de doenças gastrointestinais -, Fidel Castro, que chefiou a revolução comunista naquela ilha caribenha em 1959, volta à cena política. O pano de fundo é
uma longa entrevista, por ele agendada, concedida, no final de agosto, a um jornalista norte-americano, Jefrey Goldberg, da revista Atlantic Magazine. Por que a encenação?, eis a pergunta. Simploriamente deduziria-se que Fidel, ao criticar antissemitismo, ‘puxar a orelha’ de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, e entusiasmar-se ao falar sobre sua paixão por golfinhos, “animais muito inteligentes”, reiteradamente acentuado, está gagá. Mas não está. Leitura geopolítica do texto de duas páginas do caderno Ilustríssima, do jornal Folha de S. Paulo, do dia 12 (domingo), representa hábil tática de guerrilha midiática anti-americana e anti-conservadorismo judaico.
Fidel Castro, que segundo disse “depois de tudo o que vi, sabendo o que hoje sei” – referindo-se à proposta que fizera, em 1962, para que a então União Soviética fizesse ataque nuclear contra os EUA caso este invadisse Cuba -, está, como estadista internacional, sua atuação preferencial agora, inserindo uma atadura diplomática nos ímpetos guerreiros dos judeus tradicionalistas e dos norte-americanos republicanos belicistas, para alavancar conversações apaziguadoras entre Barak Obama (EUA) e Benjamin Netanyahu (Israel) com Mahmoud Ahmadinejad (Irã), personagens de uma possível guerra nuclear. Como o próprio jornalista escreveu, “o recado (de Fidel) é simples: Israel só terá segurança se abrir mão de seu arsenal nuclear, e as demais potências nucleares do mundo também estarão seguras caso abram mão dessas armas”. Em mensagem ao Irã, Fidel rebuscou em sua “história de infância” a lembrança de que o catolicismo, na comemoração da Sexta-Feira Santa, dizia que “os judeus mataram Deus”. E acrescenta: “O governo iraniano serviria melhor à causa da paz caso reconhecesse a história única do antissemitismo e tentasse compreender por que os israelenses temem por sua existência”. Se a linha não esticar, a conversa rola, Obama se fortalece, Netanyahu não enrijece e Ahmadinejad conclui os estoques de urânio.
E, por final, a impressão que o jornalista contraiu de Fidel Castro: “O corpo dele pode estar frágil, mas a mente permanece aguda; seu nível de energia é alto e no pós-poder exibe certo senso de humor auto-irônico”. Quem assessorou o repórter foi uma renomada especialista em assuntos cubanos e latino-americanos, Julia Sweig, do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, que conhece o revolucionário há 20 anos e dele recebeu um beijo e acalorada boas-vindas. Será que Fidel Castro passou de ditador socialista para estadista ideológico?
(*) Léo Alves, 51, é jornalista aposentado por invalidez retinopática.
14 de setembro de 2010
Redemption Song
"Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds"
Adoro música. Sou do tipo de pessoa cuja vida é contada nas letras das músicas. Com direito à trilha sonora e tudo mais. Desde pequenininha ouvia os Long Plays dos meus irmãos. Achava o máximo colocar a agulhinha naquele bolachão preto e ouvir o som que saía dele... muito diferente dos MP3s e Apods atuais...
Conforme eu ia crescendo, absorvia tudo o que chegava nas minhas mãos e ouvidos. Com isso, desenvolvi a mania de ouvir de tudo... claro que, com o tempo, meu gosto foi se apurando, mas ainda hoje continua bastante eclético.
None but ourselves can free our minds"
Adoro música. Sou do tipo de pessoa cuja vida é contada nas letras das músicas. Com direito à trilha sonora e tudo mais. Desde pequenininha ouvia os Long Plays dos meus irmãos. Achava o máximo colocar a agulhinha naquele bolachão preto e ouvir o som que saía dele... muito diferente dos MP3s e Apods atuais...
Conforme eu ia crescendo, absorvia tudo o que chegava nas minhas mãos e ouvidos. Com isso, desenvolvi a mania de ouvir de tudo... claro que, com o tempo, meu gosto foi se apurando, mas ainda hoje continua bastante eclético.
Dia desses, fuçando em alguns velhos arquivos, encontrei um artigo que escrevi sobre Bob Marley... engraçado, pois tinha acabado de voltar de viagem e no DVD do carro vim assistindo (no banco do passageiro!!) ao show feito em sua homenagem. Esse tributo é um dos álbuns que mais gosto e nunca me canso de assistir e ouvir as músicas que são, antes de tudo, hinos de liberdade e de louvor a Jah. Resolvi dividir o texto com vocês. Aí vai:
O uso de palavras de ordem e uma força espiritual incrível fizeram de um menino negro, criado em meio à miséria de Trench Town, na capital da Jamaica, um dos maiores mitos da história da música, capaz de transformar toda uma nação e chamar a atenção do mundo para as questões políticas, raciais e religiosas de seu povo. Sua principal arma? A música. O último dia 11 de maio foi marcado pelos 29 anos da morte de Robert Nesta Marley, o legendário Bob Marley. A passagem dessa data foi um motivo para que eu dedicasse minha coluna ao Rei do Reggae. Mas não foi o único. Todos os momentos de sua vida ensejam uma reflexão. Seu legado vai além do som cadenciado do Ska estilizado que ele ajudou a criar e das letras de suas músicas, tão profundas e atuais. Seu posicionamento político, sua fé inabalável nas palavras de Jah e sua vontade de mudar o status quo, em busca de liberdade, é o que mais atrai em toda a sua obra. Fora o preconceito ainda existente por causa de seus longos dreadlocks e o uso da maconha, que ele acreditava ser um canal de comunicação entre as pessoas e Jah, o legado de Marley é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores da música mundial. Ele transcendeu a imagem do “popstar”, do artista comercial ou puramente político. Seu espírito revolucionário, o qual muitas vezes fez temer os “poderosos”, era movido por sua fé e não pela ideia da tomada de poder. Seu estilo musical, único e inovador, nasceu da mistura de elementos do gospel, do blues, da música latina, do rock e tantos outros sons presentes no seu dia-dia. No entanto, mais do que a batida do reggae, foram suas ações e seu posicionamento crítico e consciente diante de seu papel no mundo que o elevaram à condição de mito. Hoje, vinte e nove anos depois de sua morte, suas músicas ainda ecoam na alma das pessoas. “Faz a cabeça” de jovens revolucionários e marcam a vida daqueles que buscam a transformação de si e do mundo. Não pela força, mas pela paz e união de todos os povos. Positive Vibration, Rastaman!
16 de agosto de 2010
Moda versus Cultura
É fato comum vermos o mundo da moda “tomar emprestadas” vestimentas de certas culturas e transformá-las em simples adereços fashions. Também é muito comum que esse tipo de ‘modismo’ produza reflexos na própria simbologia da peça, transformando-lhe o significado e ditando novos comportamentos.
O coturno é um exemplo clássico disso. Desenvolvido para soldados em atividades de combate, o calçado virou símbolo do movimento punk nos anos 70. Na época, ficou marcado como elemento de repúdio dos punks ao Exército.
Sabe-se, porém, que seu uso foi uma influência direta dos skinheads - cultura originária dos jovens ingleses da classe operária, que usavam este calçado como uniforme de trabalho.
Apesar disso, o simbolismo criado pela ‘moda punk’ foi mais convincente, e, até hoje, esse sentido antimilitar do coturno é difundido.
Atualmente, o ‘adereço’ em discussão é o keffiyeh, ou simplesmente ‘lenço palestino’. O lenço tem forte significado político e cultural. É símbolo do movimento pela libertação da Palestina. Está diretamente ligado à imagem de Yasser Arafat, um dos principais líderes do Movimento e que sempre aparecia com seu keffiyeh preto e branco cobrindo a cabeça.
O uso desse adereço, portanto, pode ser considerado pelo povo palestino como falta de respeito às suas crenças ou pelos israelenses como um ato de apoio aos palestinos.
A questão é: até onde o uso de certos ‘símbolos’ nacionais pode ser considerado apenas moda e em que momento ele passa a ser um apelo capitalista ou, pior que isso, uma maneira de se desmontar toda uma cultura, banalizando suas crenças?
Precisamos estar certos daquilo que vestimos. Nossa roupa e adereços muitas vezes demonstram o que pensamos e no que acreditamos, mesmo sem sabermos. Até mesmo na moda, existem certos limites que devem ser respeitados, principalmente quando tratamos com símbolos religiosos e nacionalistas.
Moda, antes de tudo, é atitude. E atitude exige conhecimento.
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| O uso do lenço pelos palestinos. Ao fundo, foto de Arafat. |
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| Lenço Palestino com a estrela de Davi: considerado símbolo de paz entre os povos. |
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