30 de novembro de 2011

Arte terapia

Nada melhor do que ocupar a mente nesses momentos de tensão.
Estava procurando alguma coisa diferente para fazer, como boa leonina que sou, e me lembrei dos trabalhos do amigo Johnny Baltazar... entrei no face, mandei uma mensagem para ele, combinamos detalhes... Resultado: curso básico de pintura country uma vez por semana, e em casa! Tudo de bom!!


Porta-chaves de galinha
  
Papai Noel

Também voltei a fazer minhas costurinhas, que aprendi a fazer com a querida amiga Kelcia na época em que estava de licença-maternidade pelo nascimento da Sol.  
Capa de caderno feito com o passo-a-passo da ana Maria Saciloto, no canal da Verapatchwork do Youtube

Bordadinho em toalha

11 de novembro de 2011

Quarenta e cinco

Ontem, Luna fez 45 dias.
Foram os 45 dias mais intensos da minha vida. Literalmente, dias de Terapia Intensiva. Aprendi muito sobre muitas coisas. Posso dizer que sei muito mais sobre prematuridade, UTI neonatal e todos os seus equipamentos: incubadora, monitores de frequencia, CPAP, cateter, sonda gástrica, NPP e tantos outros.
Mas, mais do que isso, aprendi sobre a vida, as outras pessoas e sobre mim mesma.
Durante todo esse período, pesquisei e conheci casos parecidos com o nosso. Muitas mães e pais que viveram ou vivem momentos difíceis dentro das UTI´s. Alguns com finais felizes, outros nem tanto, mas, com certeza, todos com alguma experiência de vida para compartilhar.
Também pude renovar meus votos de amizade com muitas pessoas que há tempos não via. Pelo facebook, muitos têm acompanhado nossa história e as vitórias de nossa pequena guerreira. Por lá, e por aqui, recebo manifestações de carinho e muita energia boa dos amigos de perto e de longe, que têm me ajudado muito a superar os desafios desses últimos dias e a quem eu serei eternamente grata.
A recuperação de nossa pequena tem sido à conta-gotas, do tamanho de seus passinhos, mas sempre positiva. Passou dos 970g  para 1.670g. Superou infecções, grandes e pequenas, e ainda as supera. Afinal, elas vêm e vão com uma rapidez inacreditável. Quando pensamos que uma etapa foi vencida, lá vem uma bacteriazinha ou um vírus dar mais trabalho.
Mesmo assim, ela vai se recuperando de maneira incrível. Hoje, estamos combatendo uma infecção no pulmão. Esperamos que ela responda bem aos antibióticos e logo possa dar adeus a ela também. A parte respiratória está sendo trabalhada e a máquina de oxigênio tirada aos poucos. O intestino, que deu bastante trabalho, agora está melhor. Já está recebendo 16ml de leitinho de 3 em 3h. Com o uso de sedativos, nossa pequena desenvolveu o que os médicos chamam de 'síndrome de abstinência'. Para tratar os sintomas, está tomando outros remédios (vai entender, né?)... Hoje ou amanhã tudo pode mudar, afinal numa UTI as coisas acontecem rapidamente. Mas seja lá quais forem as mudanças, tenho certeza de que nossa pequena se sairá muito bem, pois ela tem demonstrado a todo o momento que está disposta a lutar pela vida e que tem pressa para estar com sua família.
Do lado de cá, tento dar o melhor de mim. Procuro manter minha serenidade, minha lucidez. Busco criar uma rotina para o restante da família, deixando sempre o lugar da pequena Luna bem demarcado, até para a Solzinha já ir se acostumando com a ideia... ciumentinha, a pequena!
O leite tem diminuído um pouco. Além de alugar a bomba elétrica, também estou tomando um remédio receitado pelo pediatra da UTI e reforçado por minha ginecologista, o Dogmatil. Parece que a produção tem aumentado. Tomara!!
Esperamos os próximos dias com certa ansiedade, mas tentamos viver um dia de cada vez, por mais clichê que isso possa parecer. Há coisas na vida que nos fazem repensar o sentido do tempo. E tudo o que tem acontecido conosco mudou completamente a forma como eu encaro a vida, o mundo, as pessoas. Estou totalmente transformada, e sei que ainda há muito ainda o que mudar. Estou pronta.

1 de novembro de 2011

"Se eu me salvei, foi pela fé, minha fé minha cultura, minha fé..." O Rappa

Sábado e domingo fomos ver nossa pequena Luna pela manhã. Como o boletim médico só sai às 18h, nada de notícias oficiais no final de semana. Apesar disso, valeu a pena mudar o horário de visita. Passamos o sábado com nossos amigos queridos (foi tão bom! Tava sentindo falta de todos. Obrigada!) e o domingo na maior preguiça. Hoje papai foi vê-la à tarde e conversou com o médico. Ainda sem grandes a...lterações em seu quadro clínico, nossa pequena-guerreira vem recebendo o leitinho da mamãe aos poucos: agora 5ml. Esse é mais um período de espera. Paciência sendo testada no limite. E fé também. Às vezes fico pensando sobre isso, sobre a fé. Parece algo tão irracional, apenas 'crer' que a vida tomará o caminho que desejamos... a 'Fé que Move Montanhas'... No entanto, não há nada de irracional nesse sentimento que carrego dentro de mim. É algo tão natural, como se algum tipo de 'conhecimento' me possibilitasse entender o sentido do sofrimento, tranformando-o em uma dor 'menor'. Como a dor do parto: no momento em que parecemos sucumbir, ouvimos o choro do bebê e, então, toda dor e sofrimento são recompensados.Bem disse Kardec: 'não há fé inquebrantável senão aquela que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade'. Em mim, a fé se apresenta como um sentimento positivo sobre as coisas. É a convicção de que existe a real possiblidade das coisas acontecerem conforme nosso querer. Além disso, creio no poder do pensamento, da palavra e das ações. Então, crer está intrinsecamente ligado a uma postura positiva perante às adversidades, já que essa forma de encarar as coisas ajuda a transformá-las, de alguma maneira, a nosso favor... Se paciência e calma são ingredientes fundamentais á fé, delas farei minhas companheiras inseparáveis. Vibrações positivas para todos!

26 de outubro de 2011

Um Mês

Hoje é um dia especial. Um dia de comemoração e de muita reflexão.
Hoje, comemoramos o primeiro mês de vida da Luna e, de certa forma, o meu também. Do parto, guardo alguns flashs: minha concentração para ficar acordada, algumas conversas sem sentido, o chorinho da minha pequena, o médico sentado ao meu lado tentando explicar o que tinha dado errado e como ele tinha consertado, e minha 'sorte', e do meu bebê, por termos sobrevivido... Tudo isso parece ter ficado em um passado tão longínquo, que às vezes tenho dúvidas se aconteceram dessa maneira mesmo; ou se aconteceram comigo... Nesses momentos, só tenho certeza do que realmente ficou: um Amor sem-fim pela pequena guerreira que ganhei.
Muitas coisas mudaram nesses últimos 30 dias. Dentro de mim, uma revolução. Quando soube que minha pequena ficaria na UTI assim que nascesse, fiquei tranquila. Sabia que ali ela seria bem cuidada. Os primeiros dias foram de apreensão. Porém, aquele pingo de gente, pesando menos de um quilo, demonstrou tanta coragem e vontade de viver que não tive outra escolha senão me manter forte também.
E, assim, os dias se passaram. Fé e positividade. Resignação e paciência.
Porém, o tempo é senhor, e resolveu nos testar. Diminuiu o ritmo dos dias, que passam cada vez mais lentos. Isso, somado à falta de grandes melhoras no quadro da pequena Luna, tem exigido demais de todos nós. Admito que há dias que me falta ânimo. Quando isso acontece, recorro às outras duas joias da minha vida, Sol e Gabi, a Deus e aos amigos espirituais. Tento estabelecer um equilíbrio para me manter sã. Dias difíceis esses...  família e amigos têm sido como anjos. Sou muito grata por tê-los em minha vida.
Neste 30º dia, enquanto escrevo e espero a hora de ver minha pequena, penso no quanto ela é especial e em toda a transformação que ela trouxe para nossas vidas. Sua coragem e força, diante de tamanho sofrimento... os dias passados na Neo, longe do conforto de casa e do amor e carinho da família. Tantos aparelhos, tantos desconfortos, tantos desconhecidos. E, ainda assim, um desejo imenso de ultrapassar tudo isso. Diante disso, que direito tenho eu de fraquejar?
Sou uma mãe de colo vazio, mas com o coração cheio de Amor, Esperança e Confiança. E por mais que esse tempo tente açoitar minhas convicções e sentimentos, não há nada que ele faça que possa vencer o sentimento que unem mãe e filho.

Brindemos, então, à vida. Esse instante tão raro.

10 de outubro de 2011

Apenas Mais Uma de Amor...


Como escrever sobre o Amor sem ser piegas? Pensei em começar com uma poesia ou com a letra de uma música. Esses são sempre bons inícios para essas coisas do coração. Nos deixam mais inspirados, sei lá... Eu sempre começo minhas cartas pra você assim, né? Mas como essa postagem é pública, queria que, de algum modo, fosse algo tipo 'pessoal e intransferível'. Não queria escrever coisas que coubessem em outras pessoas. Os sentimentos que trago aqui só dizem respeito a nós...

São quase oito anos de convivência. Algumas idas e vindas, desencontros e reencontros. Tentamos repensar nossas vidas separadamente. Não deu. Não dá.
Para muitos, somos um casal 'moderno'. Uma forma diferente de estar juntos. Para nós, somos simplesmente uma família. Sempre fomos. Antes mesmo da Sol chegar. E família 'é quem você escolhe pra você'.
Não é uma escolha fácil. São tantas dúvidas. Acho que a certeza só vem com o tempo. Com a vida. Essa vida que tem nos feito entender o quanto nossa sintonia é fina. Rara. Só nossa.

Descobrimos um pouco mais sobre nós nestes dias de dor, né?

Por detrás daquele cara relaxadão, superdescontraído e fácil de conviver, encontrei em você, ainda, um pai zeloso, comprometido, e um marido tão cuidadoso, que foi capaz de abrir mão de si mesmo para estar ao meu lado, entendendo minhas necessidades, minhas fraquezas e algumas recaídas que tive pelo caminho. Foi meu porto-seguro em todos os momentos.
Não que 'esse cara' não estivesse ali todos esses anos. É que nós, mulheres-mães, costumamos colocar todo mundo debaixo das asas e saimos por aí achando que podemos dar conta de tudo... mea culpa.
... Foi tão reconfortador não precisar ser tão forte o tempo todo...

Obrigada. Apesar de doloroso, todo esse processo tem sido gratificante e tem servido como fonte de transformação em nossas vidas. Não sei ainda quem seremos quando tudo isso acabar, mas creio que seremos pessoas melhores. Mais conscientes, mais amigas, mais atenciosas a tudo o que o Mundo tem para nos oferecer. Seremos melhores pais. Melhores amigos. Melhores amantes. Seremos cúmplices pelo resto da vida desses momentos que foram só nossos e que só servirão para nos tornar ainda mais companheiros.

Hoje entendo melhor o que é o Amor. Vai além do gostar, do tesão, do querer estar juntos. O Amor ultrapassa o sentido da vida... alcança o etéreo... e nos faz sentir tão plenos que, mesmo em meio às ondas mais turbulentas, nos permite seguir, serenos e confiantes, nosso navegar...

Amo-te. Pra sempre.

6 de outubro de 2011

Acretismo

...mais uma palavrinha feia que eu descobri nos últimos dias. Feia e perigosa. Ah, e bastante difícil de acontecer: 1 entre 2.500 mulheres tem placenta acreta. Agora pergunta se na Mega Sena eu acerto? Nem bingo eu ganho. Pois é, mais o tal do acretismo resolveu aparecer na minha vida e foi descoberto durante o parto da Luna, já bem complicadinho por si só.
Bom, segundo a wikipédia, acretismo ou placenta acreta é a "denominação que se dá à placenta que se adere anormalmente à parede uterina. É uma complicação obstétrica grave. A placenta geralmente se despreende da parede uterina de forma relativamente fácil, mas mulheres que possuem acretismo placentário durante o parto possuem um risco maior de hemorragia durante sua remoção. Isso geralmente requer cirurgia para conter o sangramento e remover completamente a placenta. Em formas graves pode frequentemente levar a uma histerectomia ou ser fatal". Assustador, né?
No meu caso, graças aos Céus, a penetração da placenta atingiu apenas uma pequena superfície do útero. E a equipe que me assistia no momento do parto contava com profissionais muito bons. Saldo disso tudo: uma barriga cheia de hematomas e a certeza de quanto minha vida é valiosa!
Uma vez me disseram que se a gente não conseguisse aprender nada com essas 'coisas' que acontecem na nossa vida, então nossa existência não teria valido a pena. Posso dizer com certeza: eu não sou mais a mesma pessoa de um mês atrás. Nunca as pequenas coisas tiveram tanta importância para mim. Coisas simples como tomar Sol, dormir ou acordar ao lado das minhas pequenas, ficar juntinho do meu marido, um leve abrir de olhos da Luna, cada respiro do Mundo tem um valor diferente agora. "O Coração, se pudesse pensar, pararia"

"... considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também" - Fernando Pessoa.


3 de outubro de 2011

Diário de uma grávida hipertensa III

"Não me entrego sem lutar / Tenho, ainda, coração / Não aprendi a me render / Que caia o inimigo então"


A noite passou com certa dificuldade. Acordei na segunda com fome e tomei meu café da manhã antes de ir fazer a ultrassom. Quando voltei, a enfermeira já me aguardava com aquele aventalzinho nas mãos... tinha chegado a hora. Difícil explicar o que senti. Não era medo, mas uma certa tensão. Tentei me concentrar. Controlar a respiração e manter a mente tranquila, como tantas vezes havia feito nas aulas de ioga. Porque será que parecia ser tão fácil?
No caminho até o centro cirúrgico, minha mente ia se preparando para o que viria logo a seguir. Me lembro bem de todos da equipe médica se apresentando e conversando entre eles sobre futilidades do dia-dia. O anestesista demorou para conseguir aplicar a raqui. Eu não estava conseguindo relaxar. Depois de umas tantas tentativas, resolvi deitar no ombro da enfermeira e tentar me concentrar na minha respiração. Deu certo. Depois disso, as pernas adormeceram e comecei a ficar com sono. Não sei dizer quanto tempo se passou, mas pareceu não demorar muito até ouvir o chorinho da Luna. Pela prematuridade, até que o choro era forte. Ouvi alguém dizer quer era 12h20. Todos me olharam felizes, vieram me cumprimentar... que alívio... a partir daí relaxei. O sinal vermelho só voltou a piscar quando o médico sentou do meu lado e começou a falar sobre algum problema que teria acontecido durante o parto, mas que ele havia conseguido resolver fazendo um tipo de ‘suspensório’ para segurar o útero... De novo, informação demais...
Voltei para o quarto, sem entender bem o que estava acontecendo. Eu tava morrendo de fome, era mais de 3 horas da tarde. Tomei o café da tarde com gosto e jantei ainda faminta, às 17h30. Aquela foi a melhor comida sem sal que já comi na vida. A noite, já estava bem disposta para ir ver a Luna. Minha pequena guerreira. Nasceu com 970g... e toneladas de vontade de viver...
Eu ainda não sabia nada sobre acretismo e o risco que havia corrido durante o parto... era um novo capítulo dessa história...