22 de dezembro de 2010

BEM-VINDO 2011!

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente."
(Carlos Drummond de Andrade)

13 de dezembro de 2010

10 de dezembro de 2010

Hoje é dia de Clarice

Meu amigo Geraldo sempre chega na sala com uma novidade. Informação ou questionamento, o fato é que ele sempre espera por um embate. Hoje apareceu me perguntando sobre partidos políticos.
- Você é filiada? Já pensou em se filiar? Gosta de algum partido em especial?...
E eu, tentando terminar um release chato, fazia um certo esforço para pensar sobre o assunto antes de responder. Não deu tempo. A boca foi mais rápida do que o cérebro. Disse: "não". E ele insistiu: - Mas uma pessoa inteligente como você! Nem do exterior? Não acredito! E eu: "Acho que você superestima minha inteligência". E foi tudo o que consegui responder, pensando em mim como uma fraude... afinal, não passo de uma pessoa normal, que tem curiosidade em conhecer sobre assuntos diversos e que, por isso, virou jornalista. E acabou numa assessoria de imprensa fazendo releases chatos... Como é que eu poderia conhecer partidos da Holanda, Itália, França... mal conheço a história dos nossos. Talvez, por isso, a falta de interesse em me filiar.
Tentei deixar o assunto no ar. Meio sem resposta. Pra outro dia.
E, que bom!, no meio dessa nossa discussãozinha, apareceu um assunto mais interessante. Pelo menos para mim: Hoje era dia de Clarice. A Lispector.
Aniversário de nascimento de uma das escritoras mais criativas que eu já li (e olha que, apesar de me considerar uma fraude, já li muita coisa!!). Ontem, dia 9, foi aniversário de morte dela. Porém, prefiro comemorar a vida! Como diz no blog dela: "Clarice respira em cada um de nós, à medida que nos faz sentir"...
E é o sentir o que mais me chama atenção nas obras dela. Como alguém pode descrever sentimentos tão profundamente? Às vezes, não consigo colocar no papel coisas tão simples, de um cotidiano por vezes tão inóspito. Faltam palavras. Criatividade... E aí vem ela, com coisas assim: 'Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro'. Ou então:  'Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida'. Por isso ela é Clarice. E eu... bom, deixa pra lá... rs. Ao meu alcance, apenas a possibilidade de ajudar a espalhar um pouquinho dela por quem por aqui passar. E agradecer ao Geraldo, por fazer eu respirar um pouco mais neste dia!

Já que há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas

19 de novembro de 2010

SOMOS TODOS NORDESTINOS

Não resisti, Elton... li, gostei e copiei pra cá!


"Em reação aos comentários anti-nordestinos que ficam enchendo o nosso saco no twitter, no e-mail, na mesa do bar, recebi um e-mail que sugeria que podemos todos nos proclamar nordestinos.
É muito fácil ser um nordestino, pois cada um de nós, está sempre a nordeste de algum ponto geográfico. Somos todos nordestinos de alguma forma.
Eu, por exemplo, nasci a nordeste da praia, estudei a nordeste do centro. Amei muitas vezes a nordeste da razão. Estou a nordeste de onde vivem meus pais"

15 de novembro de 2010

Em se Plantando...

Bom, a primeira sementinha foi lançada. Feriadão regado à política e cultura. Coisa de doido mesmo. Assim começamos nossa jornada rumo à fundação do IGECE (Instituto Gramsci de Estudos de Cultura e Educação). Falamos da República de Platão (obrigada dr. Olavo Câmara pela palestra!). Falamos sobre Gramsci e o porquê da escolha de seu nome para batizar o Instituto. Falamos de política, de educação, de cidadania. Falamos das nossas necessidades. Enriquecemos nossas mentes. Conhecemos gente nova e fortalecemos amizades distanciadas pela falta de tempo. Enfim, gastamos bem nosso tempo. E ainda deu para aproveitar a praia e o Sol que decidiu aparecer nesta segundona de feriado. Feriado da Proclamação da República. Nossa meta? Fazer com que esses momentos possam se tornar mais frequentes. Abrir as portas para aqueles que desejam um pouco mais da vida. Compartilhar conhecimento. Somar forças. E quando for hora da colheita, dividir os frutos com toda a cidade. Nossa cidade. Nossa República.
Obrigada a todos!

5 de novembro de 2010

Um dia de fúria ou "só pra desabafar"

Quais os sentimentos que nos movem?
Até onde somos capazes de chegar para satisfazer nossos desejos?
Sacrificamos nosso nome, nossos sonhos, nossa vida, família, emprego, credo, nossa lucidez...
Em troca: segundos de satisfação... aquele riso de canto de boca, coração palpitando, um misto de adrenalina, prazer e medo (se é que é possível saber onde começa um e termina outro). Vingança... ou apenas a sensação de que podemos pôr o dedo na ferida alheia – ou criar a ferida alheia – e fazer a pessoa sofrer ao nosso bel prazer. Sentir o poder de comandar. Poder... o mesmo sentimento de poder que move o político corrupto, o jornalista irresponsável e tendencioso ou a faxineira que morre de inveja do contracheque alheio... nada diferente dos advogados sem escrúpulos, paladinos da justiça, que sentam no próprio rabo para apontarem no mundo as desgraças de suas próprias vidas, causadas por eles próprios... milícias, traficantes, estupradores, pedófilos... que diferença existe entre eles e nós? Serão os sentimentos que nos movem? Então responda: Até onde você é capaz de chegar para satisfazer os seus desejos?

28 de setembro de 2010

Vi um comentário sobre esse texto...

... no blog da amiga Carol Baggio. Adorei!

Os Filhos
Gibran Kahlil Gibran

"Vossos filhos não são vossos filhos,
são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor,
mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não podem fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás
e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos
são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito
e vos estica com toda a sua força
para que suas flechas se projetem rápido e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
ama também o arco que permanece estável."

Minhas flechas: Sol e Gabi